Paradise Now

O cenário do filme de Hany Abu-Assad (palestino, radicado na Holanda) é Nablus, cidade destruída pelo exército e pela opressão israelense. Said e Khaled são dois amigos dispostos a participar de um atentado em Tel Aviv... como homens-bomba. Essa é a melhor arma que possuem: o próprio corpo coberto de explosivos. Fanatismo é a primeira imagem que viria às nossas cabeças. Mas o que o filme nos mostra é bem diferente disso. Conhecemos dois jovens sem esperança de futuro, mas com os questionamentos sobre a violência que os cercam. Durante a preparação para o momento tão esperado, os dois se vêem como mártir, como salvadores, e como homens comuns. A religião está presente, como em todos os povos sem esperança de vida, que se apegam ao desconhecido como a única maneira de acreditar num mundo melhor. A pergunta que surge durante a tentativa de uma pacifista em fazê-los desistir é “O que acontece com aqueles que ficam?”, não sobre os familiares, mas sobre o círculo vicioso e violento que se alimenta. Assim como Paradise Now, outros dois filmes em cartaz retratam o conflito no Oriente Médio: Munique e Free Zone. É o cinema nos mostrando com sensibilidade uma questão que a mídia televisiva mostra sempre sanguinolenta e fria. Foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.


