Munique

Baseado no livro A Hora da Vingança, de George Jonas, o filme parte do atentado cometido nas olimpíadas de 1972, em Munique, contra a delegação de atletas israelenses. Em resposta à ação palestina, o serviço secreto israelense monta uma equipe independente, organizada por Avner, com o intuito de caçar e eliminar onze líderes do grupo Setembro Negro e palestinos supostamente envolvidos no atentado iniciado em 5 de setembro de 1972. Mais uma vez, o cinema mostra a espiral da violência de ataques e contra-ataques entre israelenses e palestinos, sem limite de violência e crueldade.
Os personagens se revezam no questionamento e na justificativa para tanta morte. Em um momento especial, Avner ouve de um jovem palestino que “pelo lar que queremos, tudo isso se justifica”, a mesma frase que ouviu de sua mãe ao defender sua missão. Enquanto os personagens se defendem de seus próprios julgamentos, o protagonista reflete o sofrimento e dúvida sobre os atentados. Assim, como em Paradise Now, percebemos que a história é feita de humanos comuns, facilmente manipuláveis e sujeitos a toda a dor que existe em estar diretamente envolvido com uma luta que parece não ter fim. A diferença aqui é que o personagem principal foi poupado da morte, mas condenado a viver com a culpa e a responsabilidade de poder ter sido o homem que lavou (ou sujou ainda mais) a honra dos israelenses.
O filme é impecável na qualidade das imagens e na reconstituição das cidades no ano dos atentados. Os atores são ótimos, e a história se desenrola perfeitamente. O final é desconexo com o resto da história, quando mais uma vez vemos a propaganda de uma América segura e acolhedora. Desconexo sim, porque os Estados Unidos aparecem duas vezes anteriores a essa: nos atletas americanos (que irresponsavelmente permite que os palestinos entrem na vila olímpica de Munique) e no dinheiro que financia a violência de ambas partes.




