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Li o livro, vi a peça e assisti ao filme

Vi primeiro a peça há tempos atrás lá no Sesc Belenzinho. Sabia pouco do que se tratava. Um estória de amor adaptada para o teatro, por João Falcão. Conheci o livro logo depois e me deliciei com as palavras de Adriana Falcão. O texto é escrito com uma delicadeza e ao mesmo tempo com uma lógica inacreditável. Me envolvi nas palavras e me encantei com a estória. É claro que não poderia deixar de assistir ao filme.
É um grande presente poder acompanhar a mesma estória contada em três linguagens diferentes. O mais interessante de tudo é que é impossível dizer qual das três formas é a melhor colocada. Em cada caso, os detalhes, os recursos, as ações são distintas. No filme, o cenário é simples e curioso. Algo que me lembrou Dogville, com um toque nordestino. A mesma rapidez nos diálogos e nas palavras que vi na peça, mas com um requinte cuidadoso de cada detalhe de cada cena.
Antônio é apaixonado por Karina, que por sua vez sonha em sair da pequena cidade de Nordestina para conhecer o mundo. Diante dessa curiosidade, Antônio pretende trazer a ela tudo que puder sobre o mundo. Nessa história de amor, temos um pouco de tudo: humor, alegria, festas e crítica social. É um trabalho resultante de grandes talentos presentes em cada minuto do filme.
Munique

Baseado no livro A Hora da Vingança, de George Jonas, o filme parte do atentado cometido nas olimpíadas de 1972, em Munique, contra a delegação de atletas israelenses. Em resposta à ação palestina, o serviço secreto israelense monta uma equipe independente, organizada por Avner, com o intuito de caçar e eliminar onze líderes do grupo Setembro Negro e palestinos supostamente envolvidos no atentado iniciado em 5 de setembro de 1972. Mais uma vez, o cinema mostra a espiral da violência de ataques e contra-ataques entre israelenses e palestinos, sem limite de violência e crueldade.
Os personagens se revezam no questionamento e na justificativa para tanta morte. Em um momento especial, Avner ouve de um jovem palestino que “pelo lar que queremos, tudo isso se justifica”, a mesma frase que ouviu de sua mãe ao defender sua missão. Enquanto os personagens se defendem de seus próprios julgamentos, o protagonista reflete o sofrimento e dúvida sobre os atentados. Assim, como em Paradise Now, percebemos que a história é feita de humanos comuns, facilmente manipuláveis e sujeitos a toda a dor que existe em estar diretamente envolvido com uma luta que parece não ter fim. A diferença aqui é que o personagem principal foi poupado da morte, mas condenado a viver com a culpa e a responsabilidade de poder ter sido o homem que lavou (ou sujou ainda mais) a honra dos israelenses.
O filme é impecável na qualidade das imagens e na reconstituição das cidades no ano dos atentados. Os atores são ótimos, e a história se desenrola perfeitamente. O final é desconexo com o resto da história, quando mais uma vez vemos a propaganda de uma América segura e acolhedora. Desconexo sim, porque os Estados Unidos aparecem duas vezes anteriores a essa: nos atletas americanos (que irresponsavelmente permite que os palestinos entrem na vila olímpica de Munique) e no dinheiro que financia a violência de ambas partes.
Paradise Now

O cenário do filme de Hany Abu-Assad (palestino, radicado na Holanda) é Nablus, cidade destruída pelo exército e pela opressão israelense. Said e Khaled são dois amigos dispostos a participar de um atentado em Tel Aviv... como homens-bomba. Essa é a melhor arma que possuem: o próprio corpo coberto de explosivos. Fanatismo é a primeira imagem que viria às nossas cabeças. Mas o que o filme nos mostra é bem diferente disso. Conhecemos dois jovens sem esperança de futuro, mas com os questionamentos sobre a violência que os cercam. Durante a preparação para o momento tão esperado, os dois se vêem como mártir, como salvadores, e como homens comuns. A religião está presente, como em todos os povos sem esperança de vida, que se apegam ao desconhecido como a única maneira de acreditar num mundo melhor. A pergunta que surge durante a tentativa de uma pacifista em fazê-los desistir é “O que acontece com aqueles que ficam?”, não sobre os familiares, mas sobre o círculo vicioso e violento que se alimenta. Assim como Paradise Now, outros dois filmes em cartaz retratam o conflito no Oriente Médio: Munique e Free Zone. É o cinema nos mostrando com sensibilidade uma questão que a mídia televisiva mostra sempre sanguinolenta e fria. Foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Movendo à velocidade da vida, estamos destinados a nos colidir um com o outro

No primeiro diálogo do filme, um detetive diz que a colisão física, freqüente em cidades grandes, é causada pela necessidade que temos ao toque de outra pessoa. É assim que Crash começa. Com uma batida de carro. Mais uma vez vemos várias histórias que se cruzam no decorrer do filme. Todas elas baseadas numa realidade de medo e de violência originada pela diversidade étnica e racial que existe nos grandes centros, onde aprendemos a não olhar para quem está ao nosso lado, mas a temê-lo. Mesmo diante da vida que parece cruel, existe um momento crítico onde percebemos o que de fato existe dentro de nós: a bondade, o cuidado e a humanidade. O filme perde no final, quando percebemos que os únicos personagens que não foram abençoados pela possibilidade de se mostrarem humanos, são os coreanos. Preconceito? Política? A cena memorável é a do chaveiro hispânico com sua filha, quando ele a ensina a não ter medo das balas perdidas.
29ª Mostra Internacional de Cinema
A noiva cadáver

Resolvi voltar à ativa e encarar a lista de 20 filmes que eu preciso ver! O primeiro deles foi A Noiva Cadáver, do Tim Burton. A história é baseada em um conto russo do século IXX. O jovem Victor, acidentalmente, declara seus votos a uma noiva cadáver e se vê preso ao mundo dos mortos. Muita música e muito humor. A caracterização dos personagens (feitos de massinha) é fabulosa!!! Mais uma animação em stop-motion, filmada quadro-a-quadro! Vale a pena ver!!
As Fantástica Fábrica de Chocolate

Tim Burton pode ser classificado com um daqueles sujeitos que sempre acabam surpreendendo aqueles que admiram sua arte. Quem viu Edward Mãos de Tesoura, o primeiro Batman (que me fez ser um leitor compulsivo de quadrinhos até hoje) e, mais recentemente, Peixe Grande sabe do que estou falando. Em todos eles é possível perceber sem muito esforço como o diretor brinca com os recursos que um meio grandioso e cheio de possibilidades como o cinema lhe permite. Aparentemente, o único limite para sua imaginação é o roteiro de seus filmes. Não é muito difícil, portanto, imaginar que Tim Burton deva ter deitado e rolado com uma estória como A Fantástica Fábrica de Chocolate nas mãos. ::
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Pastelões, kung fu & filmes orientais

Considerado uma das seqüências mais violentas da história do cinema americano, Kill Bill 1 e Kill Bill 2, é evidentemente um conjunto de influências e informações que o aclamado Quentin Tarantino possui. A idéia surgiu durante as filmagens de Tempo de Violência, quando, num bar, Uma Thurman sugeriu que o filme começasse com uma noiva, machucada, quase morta, rodeada de pessoas assassinadas. Os filmes possuem cenas dos pastelões de western, onde a violência é tão exagerada que se aproxima do absurdo e irreal. As cenas de luta são uma grande homenagem ao mestre Bruce Lee. E a relação com os filmes orientais não se restringe à filosofia samurai, mas também ao cuidado com as cores e cenários. Em todos os ambientes de luta, o cenário é meticulosamente cuidado e elaborado para que exista uma integração com a ação. Não é possível assistir ao Kill Bill 1 e ignorar Kill Bill 2. A história se explica e se resolve apenas no segundo volume. Fica evidente de que foi feito apenas um filme, e após de pronto, dividido. Tarantino, em entrevista à Bravo!, justifica que sua idéia sempre foi ter dois filmes, mas que a decisão só foi tomada após ter sido filmado uma única seqüência. Certamente, não quis arriscar a influência dos produtores para que fosse feito apenas um filme, fazendo com que o roteiro original sofresse cortes.
Clean

Embalado pela decadência da indústria fonográfica, o filme acompanha a vida de Emily Wang após seu marido morrer de overdose. Diante da responsabilidade de estar sozinha no mundo, começa uma luta contra o vício e a chance de poder conviver com seu filho. Cercada de pessoas que desconfiam de suas atitudes e da sua recuperação, a personagem aparenta uma certa apatia. O filme é morno e não empolga, mesmo com um tema tão forte.
Casa de areia

O filme retrata a busca pelo sentido da vida. Busca essa que parece interminável, até conseguirmos aceitar a realidade em que vivemos. O cenário é a imensidão paradisíaca de Lençóis Maranhenses. A infinidade de dunas e a ausência de direção. Fernanda Montenegro e Fernanda Torres se revezam no papel de três personagens de gerações diferentes: Dona Maria, Áurea e Maria. Acompanhamos as reações de cada uma diante de ver sua vida passando sem ter optado por esse destino. Ao final do filme, descobrimos que essa busca pode não ter fim, e muitas vezes, o que buscamos é exatamente o que temos.
A Queda – os últimos dias de Hitler
Ninguém pode saber

Se não me falha a memória, Dare mo shiranai é o primeiro drama japonês que vejo no cinema. Gostaria de citar algum Takeshi Kitano, Akira Kurosawa e tantos outros, mas minha honestidade não permite.
Não tem jeito. A única lembrança de filmes genuinamente nipônicos que ainda guardo refere-se a uma caixa com quatro fitas VHS que meu avô havia ganhado de algum (desculpem-me o trocadilho) distante parente nosso. O velho tratava aquela caixa como uma verdadeira relíquia e insistia para que eu a colocasse no vídeo sempre que ele tinha vontade de assisti-la novamente - o que acontecia quase todos os dias. ::
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Maria Cheia de Graça

O filme tem uma narrativa linear e real. A história que eu vi na telona, eu já tinha lido algumas vezes nos jornais da vida real. Maria, como tantas outras pessoas, é movida pela esperança de ter uma vida melhor. Desempregada e grávida, decide procurar trabalho em Bogotá. Antes de chegar à cidade, recebe uma oferta para transportar heroína para os EUA. E aceita. O espectador se envolve com a protagonista, se arrepende com ela, e luta o filme inteiro para que Maria Cheia de Fé pela Vida consiga superar todas as conseqüências de suas decisões. O final fica aquém dos 100 minutos anteriores, mas não prejudica o filme. Vale a pena ver, principalmente pela atuação de Catalina Moreno, que faz Maria parecer uma daquelas pessoas da vida real que lemos nos jornais, mas não compreendemos o absurdo de suas atitudes.
Menina de ouro

Desde a faculdade, comecei a ter uma certa dificuldade em assistir a um filme sem me abalar pela direção. Talvez pelas aulas de cinema com um professor empolgadíssimo. Por isso, esse filme me encantou tanto. Nunca fui muito fã dos filmes dirigidos por Clint Eastwood. Ele sempre preferiu as cenas diretas, concisas, objetivas demais. Em Menina de Ouro, ele não faz diferente. Mas lida com a emoção. Os diálogos são curtos, as cenas têm um tempo preciso. O realismo duro das histórias é direto e prático. O que pareceria trágico, é apenas a realidade crua. A ausência de refinamentos emocionais e de valorização das cenas traduz vidas duras e diretas. O casamento perfeito do enredo com a direção. A sensação de quem sai do cinema é que não precisa ser dito mais nada.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Se você é uma pessoal normal, dessas feitas de carne, osso e melancolia, certamente um dia já partiu e/ou já teve o coração partido por alguém. Ser sujeito ou objeto nesse caso faz uma enorme diferença, principalmente quando se trata de literatura ou cinema. Pode reparar: quem escreve um livro ou faz um filme não costuma se interessar pelos que têm sucesso nos relacionamentos. É muito mais fácil encontrar em romances ou no cinema boas doses de lamentação do que paixões plenamente correspondidas. Talvez porque a desilusão amorosa seja, de fato, o mais universal dos sentimentos. ::
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Corra lola, corra!
Tudo começou com o inesperado e fantástico roteiro do filme "Corra, Lola! Corra!". A possibilidade de mudar os acontecimentos do filme faz o espectador torcer pela mocinha e ver a história se modificando a cada cena. Cheguei a ter a sensação de que a minha própria vontade pudesse interferir no final. Esse recurso é usado nos últimos dois filmes que eu vi: "Eterno Amor" e "Herói". O roteiro não é mais fixo. É mutante. Muda com a força, com a bondade e com os valores dos mocinhos do filme. Mas não pára aí. "Eterno Amor" ainda possui a graça de "Amélie Poulain", na história passada na 1ª Guerra Mundial. Em "Herói", o enredo baseado na história da unificação da China, a 'dança voadora' das artes marciais e a fotografia, faz com que o espectador se perca. Para um simples espectador, um efeito pode ofuscar outro.
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