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Pra quantos é essa muqueca mesmo?


O restaurante responsável pelo pecado acima chama-se Meaípe e fica na Fradique Coutinho, entre a Teodoro Sampaio e a Artur de Azevedo, aqui em Pinheiros. Além da muqueca de cação acima (devidamente devorada pela faminta equipe da Fonte), o Meaípe serve outras iguarias da culinária capixaba, como muqueca de camarão com badejo e peixe frito. Tudo servido de maneira simples e heróica por um único garçom, o qual desconfiamos que também seja o cozinheiro-chefe e caixa do recinto.
Boa comida por um ótimo preço, bem perto do escritório.
O que mais poderíamos querer?
nicolina
Sempre gostei de uma praça no centro da cidade, entre a São João, a Barão de Limeira e a Rua Vitória. A praça Júlio Mesquita não é muito grande, mas tem algo pouco comum em nossas praças paulistanas: uma fonte, uma belíssima fonte. Infelizmente desativada. Há algum tempo atrás, estava ainda rodeada por grades, talvez para evitar vandalismos. Mas as grades não contiveram a miséria, a falta de informação, o desconhecimeto e a falta de afeto de alguns pelo seu patrimônio: algumas partes da fonte foram destruídas, detalhes em bronze, roubados.
Há mais de um ano, retiraram as grades e o espaço da praça ficou mais bonito, mesmo com a fonte desativada e mutilada. Um antigo hotel da praça, o Hotel Urca, (que tinha um enorme luminoso em neon, encimando o prédio, interessante com suas letras em futura), vazio há muitos anos, foi invadido por sem-tetos que até hoje moram lá, em fase de negociação para permanecer por ali. Através de uma reportagem da tv Cultura, soube que, veladamente, zelam para que as poucas peças de bronze da fonte não sejam roubadas.
Intrigado com a beleza da escultura toda em mámore, com rostos misteriosos expressivamente dissimulados em meio a espumas e sereias , quis saber mais de sua história. Sua autora: Nicolina Vaz de Assis, uma paulista que realizou um trabalho escultórico maravilhoso no Brasil, destacando-se num contexto onde tradicionalmente predominavam os homens.
Vale a pena passear pela Júlio Mesquita e imaginar como e em que breve futuro aquilo tudo pode de novo refrescar-nos o orgulho de ser brasileiro.

t.
cidade invisível

Alguém me disse que um amigo estrangeiro estranhou o fato de muitos paulistanos desconhecerem a própria cidade, limitando-se aos seus percursos diários da casa ao trabalho. Viu São Paulo então como muitas cidades dentro de uma só, separadas por diferentes contextos, menos físicos, mais sociais e econômicos.
Frequentemente me vejo descobrindo outras cidades por aqui e nesta semana foi o Parque Novo Mundo, no bairro da Vila Maria. Acompanhando trabalho em gráfica, enquanto aguardava os acertos de máquina, rodei pelo centrinho do bairro, cujas ruas têm nomes dos pracinhas brasileiros mortos na segunda guerra. Já imaginou morar na Alameda 2º Sargento Nécio B. dos Santos? O dia estava nublado, garoava, chovia e registrei algumas cenas que logo logo vão pro ateliê da Fonte. Por enquanto fica uma delas, pra me lembrar da nossa cidade da outra margem do Tietê.
t.
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